Os diagnósticos de bipolaridade, em voga nos periódicos de comportamento, são fato que me arranha. Por isso, onde localizo uma voz sobre o tema, me anteno. Me arranha, sim, porque, primeiro, faz referência a(o diagnóstico de) alguém do meu mínimo reduto; segundo, porque diagnósticos, não digo todos, mas em vários campos, especialmente no da saúde mental, são feitos por enquadramento, aproximação ou preenchimento: não se sabe exatamente..., é virose! No caso de comportamento, é bipolaridade! E em meu trabalho alguém lia em voz alta um teste de revista tal com questões de ‘sim ou não’ sobre manifestações, características ou sintomas dessa "patologia". E todos os que ouvíamos, de alguma forma, nos sentimos bipolares ao final da sindicância. Projetos entusiásticos, mas inconclusos; preocupação acentuada com a própria aparência; estado de excitação verbal em alternância a períodos de tristeza e introjeção; e por aí ia (se é que ia a alguma lugar...).
Fiquei com a pulga presa ao rabo. E hoje, dia seguinte, ao chegar ao trabalho, reacendi o tema e vinha, meditabundo pelo câmpus, cogitando um possível diagnóstico de mediocridade e absoluta falta de emoções ao meu caso. Eu que (somente) em tese não tenho nem procurei ter diagnóstico algum do transtorno, ou picos de euforia e profusas crises existenciais. Fico na corda entre os abismos, meio bamba, meio equilibrista, mas preso à linha reta. Sem atrevimento, não me lanço à coragem de gritar sentimentos, tomar as atitudes absolutamente sinceras, dizer exatamente, se nenhum novelo. Mas não, como a metáfora concreta da arquitetura urbana, fico feliz preso à jaula à prova de intrusos. Vejo o mundo pela grade, como se assim fosse o mundo. Como se já tivesse sido construído assim, mediado pelo ferro. Minha jaula é justa como uma camisa de força, e nela me (c)o(m)primo para poder caber num mundo que apenas suponho. Num mundo em que já nascemos vitimados por viroses, neuroses, transtornos. O que resta é ir revelando em pistas as balizas de uma provável ou fictícia normalidade. E levando uma vidinha normal, insossa, sensaborona, desossada. Mas sã. Des-satanizada. Loas à mediocridade e à vida normal! Tudo aos diagnósticos!
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Ideias ricocheteando em bando nesta caixa-gaiola-janela
Pousam aqui, revoam dos galhos das árvores-cabeças
Gralham em parábolas que se articulam entre ouvidos
Pares de asas voando em busca de sentido
À procura do sossego de um cader-ninho
Em que possam acomodar sua prole de pensamentinhos
Pelados, olhos cerrados, bicos famintos
À espera de se tornarem
conjecturas adolescentes, hipóteses robustas
Até ganharem o desapego da vida e das asas próprias
E se tornarem vistosas aves-poesia, ciência, filosofia
Pousam aqui, revoam dos galhos das árvores-cabeças
Gralham em parábolas que se articulam entre ouvidos
Pares de asas voando em busca de sentido
À procura do sossego de um cader-ninho
Em que possam acomodar sua prole de pensamentinhos
Pelados, olhos cerrados, bicos famintos
À espera de se tornarem
conjecturas adolescentes, hipóteses robustas
Até ganharem o desapego da vida e das asas próprias
E se tornarem vistosas aves-poesia, ciência, filosofia
sábado, 25 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
(texto em construção: planificação I: en.rede)
O emprego está antes do desemprego
O uso está antes do emprego, antes do desemprego
O privilégio está antes do uso, antes do emprego e do desemprego
O poder está antes do privilégio, antes do uso, do emprego e do desemprego
O narcisismo está antes do poder, antes do privilégio, do uso, do emprego e do desemprego
O medo está antes do narcisismo, antes do poder, do privilégio, do uso, do emprego e do desemprego
A solidão está antes de tudo
O emprego está antes do desemprego
O uso está antes do emprego, antes do desemprego
O privilégio está antes do uso, antes do emprego e do desemprego
O poder está antes do privilégio, antes do uso, do emprego e do desemprego
O narcisismo está antes do poder, antes do privilégio, do uso, do emprego e do desemprego
O medo está antes do narcisismo, antes do poder, do privilégio, do uso, do emprego e do desemprego
A solidão está antes de tudo
segunda-feira, 13 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
des senso
Texto. Vírgula. Tecido. Sendo. Tecido. Sujeito. Tecendo. Pausa. Objeto. Direto. Palavra. Criatura. Móbile-verbo. Fratura. Ponto-e-vírgula. Porto. Alegre. Nau. Oceano. Branco. Tecitura. Caneta. Canoa. Nauta. Travessa. Travessia. Travessura. Dois-pontos. Folha. Tela. Ártico. Desértico. Correntes. Sintáticas. Assimétricas. Travessão. A. Palavra. Não. Tem. Palavra. Superfície. Textura. Versículo. Vestíbulo. Adverso. Desconexo. Palavra-confeito. Testículo. Efeito. Colateral. Prontuário. Preâmbulo. Estreito. Escorreito. Produto. Para. O. Não. Consumo. Cultura. Ponto. Final.
Disforme não diz.
Diz forme não digo.
Disforme não deforma.
Deformes estamos todos.
De fora ninguém percebe.
De dentro não se tem dúvida.
Disforme ou desigual.
Disforme a mesma cousa.
Deforme de forma a não mais.
Desfira o golpe fatal.
Misericórdia sem recurso penal.
Nau sem prumo em qualquer rumo.
Disforme indefinido, como a vida.
Prazer e desconforto.
O reto o torto o ornado.
Desencontro na mesma esquina.
O cinto de Moebius.
A forma. A fôrma. A furta cor.
A razão insuficiente.
Invente!
Diz forme não digo.
Disforme não deforma.
Deformes estamos todos.
De fora ninguém percebe.
De dentro não se tem dúvida.
Disforme ou desigual.
Disforme a mesma cousa.
Deforme de forma a não mais.
Desfira o golpe fatal.
Misericórdia sem recurso penal.
Nau sem prumo em qualquer rumo.
Disforme indefinido, como a vida.
Prazer e desconforto.
O reto o torto o ornado.
Desencontro na mesma esquina.
O cinto de Moebius.
A forma. A fôrma. A furta cor.
A razão insuficiente.
Invente!
Assinar:
Postagens (Atom)